Um reencontro entre memória, literatura e futuro
A sede da Lyra dos Conspiradores, espaço centenário que há mais de 140 anos acolhe manifestações artísticas, musicais e culturais de Macaé, tornou-se novamente o berço de um movimento histórico: a reativação da Academia Macaense de Letras (AML). Em pleno centenário de nascimento de Antônio Alvarez Parada, o Tonito, fundador da AML e figura essencial na cultura local, a literatura macaense renasce com força, propósito e continuidade.
Um movimento que nasce dentro da Lyra
Os primeiros passos dessa retomada ocorreram em 2024, durante um encontro dos Escritores Prata da Casa, realizado na sede da Lyra território simbólico de memória, arte e convivência. Foi ali que escritores, educadores e artistas decidiram reorganizar a AML e formar uma Comissão Provisória, que cresceu ao longo dos meses e hoje reúne nomes como Alessandra Linhares Bastos, Ana Lucia Valdomiro, Cleber Moraes Filho, Conceição Alves Rosa, Gabriela Barreto, Gerson Dudus, Gicelia Germano, Héverton Quintes, Ivania Ribeiro Silva, Marcos Outeiro, Mariucha Corrêa, Nathalia Andraus, Rildo Loureiro, Sandra Waytt e Zaira Gonçalves.
A Lyra, como Ponto de Cultura, abraçou o movimento desde o início — abrindo suas salas, acolhendo reuniões, oferecendo infraestrutura e, sobretudo, fortalecendo a missão de valorizar a produção intelectual da cidade. Foi na sede da Lyra que:
- aconteceram os primeiros encontros literários;
- foram redigidas as primeiras propostas;
- se discutiu a memória de Tonito Parada;
- e se plantou a semente da reabertura da AML.






Editais, encontros e sarau: a mobilização pela literatura
No dia 28 de janeiro de 2025, a Comissão Provisória se reuniu novamente na Lyra para aprovar o primeiro edital de inscrição de novos associados, inicialmente previsto até 15 de abril. Com a grande procura e o interesse de escritores de toda a região, o prazo foi posteriormente prorrogado até 31 de março.
Além do edital, a sede da Lyra recebeu encontros, reuniões e um sarau de poesia no dia 29 de março, reforçando seu papel como espaço vivo de criação literária.
Esse movimento tem significado especial, é uma resposta da cidade a um desejo coletivo de reverenciar sua história e abrir novos caminhos para artistas, autores e poetas que constroem a cultura macaense diariamente.
O legado de Tonito Parada
A reativação da AML coincide com o centenário de nascimento de Antônio Alvarez Parada (1925–2025) — professor, historiador, poeta e fundador da Academia.
Tonito dedicou sua vida a registrar a história de Macaé, escreveu a revista que celebra os 100 anos da Lyra e sempre defendeu a importância de preservar a memória intelectual da cidade. Seu pensamento permanece vivo no artigo 4º do estatuto original, que determina que cada cadeira da AML deve homenagear um intelectual macaense falecido ou alguém que tenha desenvolvido sua principal atividade literária no município.
A posse dos novos associados: um novo ciclo literário

Em ordem alfabética, os membros da Academia Macaense de Letras: Adalberto Martins, Adriana Bacellar, Alessandra Linhares, Ana Lucia Nunes, Ana Paula Lima, Angelo Mário, Aurora Ribeiro Pacheco, Carlos Alberto de Almeida, Carlos Renato Carvalho, Cleber de Moraes, Conceição de Maria Rosa, Daiana de Souza, Dilma Negreiros, Edwilson Andrade, Elias Jorge Lago, Flavia Vasconcelos, Gabriela Barreto, Gerson Dudus, Gicélia Germano, Gilcilene Lourenço, Héverton Ribeiro, Isac Machado, Ivania Ribeiro, Marcelo Brandão Araújo, Márcia da Gama, Márcia Mathias, Margarete Monteiro, Maria Inêz Lemos, Mariúcha Corrêa, Nathalia Andraus, Raíla Maciel, Rildo Loureiro, Rute Ramos, Sandra Wyatt, Thais Pessanha e Zaira Gonçalves (Foto Azul Limão)
No dia 28 de maio de 2025, o movimento ganhou forma definitiva com a posse solene de 36 novos associados, no Auditório do Colégio Luiz Reid. Em breve, cada um ocupará uma das 40 cadeiras históricas, preservando os nomes da fundação e fortalecendo a herança cultural da cidade.
Como destacou a Comissão durante o evento:
“Estamos vivendo um tempo especial. é um reencontro com a nossa história, a afirmação de um novo ciclo, que ressurge com energia, diversidade e propósito.”
A nova configuração da AML reflete também transformações contemporâneas:
as cadeiras, antes predominantemente masculinas, agora se abrem para escritoras, pesquisadoras, educadoras e artistas que ampliam e renovam o cenário literário macaense.
A Lyra como casa da literatura macaense
Ao acolher o processo de reorganização da Academia Macaense de Letras, a Lyra reafirma sua vocação como espaço de cultura integral. Assim como acolhe a música, a tradição afro-brasileira, os movimentos sociais e a educação patrimonial, a Lyra também se torna casa da palavra, lugar onde literatura, memória e identidade se encontram.
Aqui, escritores se reúnem, histórias ganham vida, projetos nascem e a cidade reencontra seu próprio espelho. Aqui, a literatura respira.
